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O Filho Pródigo: A Parábola do Pai que Não Desiste

Um filho que pede a herança em vida, perde tudo, e volta esperando ser um empregado. Encontra, em vez disso, um pai correndo ao seu encontro.

Um Pedido que Era um Insulto

Na cultura da época, pedir a herança em vida era como dizer ao pai: "eu gostaria que você já estivesse morto." Ainda assim, o pai da parábola divide os bens entre os dois filhos, sem discutir, sem impor condições (Lucas 15:12). Poucos dias depois, o filho mais novo parte para uma terra distante e "esbanjou os seus bens, vivendo dissolutamente" (Lucas 15:13).

O Fundo do Poço

Quando o dinheiro acaba, sobrevém uma grande fome, e o filho passa a cuidar de porcos, trabalho considerado profundamente degradante para um judeu, chegando ao ponto de desejar comer a comida dos animais (Lucas 15:15-16). É neste ponto, no fundo absoluto, que a Bíblia diz algo simples e poderoso: "caindo em si" (Lucas 15:17). Ele se lembra de quem ele era antes de se perder.

O Discurso Ensaiado

O filho prepara um discurso de arrependimento, esperando, na melhor das hipóteses, ser recebido como um empregado contratado (Lucas 15:18-19). Ele não espera ser recebido como filho de novo. Ele apenas espera não morrer de fome. É com essa expectativa baixa que ele começa a caminhar de volta para casa.

O Pai que Já Estava Olhando

E então vem a linha mais tocante da parábola: "quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão, e correu, e lançou-se-lhe ao pescoço, e o beijou" (Lucas 15:20). O pai o viu de longe, o que sugere que ele olhava para aquele caminho todos os dias. E ele corre, algo que homens de posição não faziam naquela cultura, para alcançar o filho antes mesmo de ouvir o discurso.

O filho começa a recitar suas palavras ensaiadas, mas o pai o interrompe com ordens de festa: o melhor manto, um anel, sandálias, o bezerro cevado (Lucas 15:22-23). Não há período de prova. Não há punição simbólica. Há apenas alegria, porque "este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado" (Lucas 15:24).

O Irmão que Ficou de Fora

A parábola não termina na festa. O irmão mais velho, que sempre obedeceu, se recusa a entrar, ressentido porque nunca ganhou nem um cabrito para festejar com os amigos (Lucas 15:28-30). O pai sai também ao encontro dele, com a mesma iniciativa: "Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu" (Lucas 15:31). A parábola termina em aberto, porque a resposta do irmão mais velho depende de cada um de nós.

Se Você Está Longe, ou se Conhece Alguém que Está

Esta é talvez a parábola mais repetida por um motivo simples: quase todo mundo já se sentiu, em algum momento, longe de casa. Se você está caminhando de volta, o Pai já está olhando para o caminho. E se você conhece alguém que se sente longe demais para voltar, talvez sua tarefa seja simplesmente contar a ele que a festa já está sendo preparada.

Porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado.

Lucas 15:24

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